Hoje estava a conversar com meus alunos sobre o pedido de ingresso na ONU da Palestina, a ser feito agora em setembro, por ocasião do início dos trabalhos da Assembléia Geral deste ano.

Alerto que o céu está escurecendo na região. Israel não vai aceitar isso quieto. Conflito será a palavra de ordem, para variar um pouco…

Estado palestino na agenda da ONU

Autor: Newton Carlos
Correio Braziliense – 03/08/2011

Os palestinos, com o apoio da Liga Árabe, mantêm a decisão de pedir à Assembleia Geral das Nações Unidas, que se reúne em setembro, o reconhecimento de um Estado palestino com fronteiras anteriores à guerra de 1967 entre países árabes e Israel. Devem votar a favor, segundo cálculos palestinos, mais ou menos 130 dos 192 membros da ONU. Embora tenha pedido a Israel que devolva terras tomadas militarmente, Obama disse que se opõe à pretensão palestina e usará o poder de veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança.

Israel foi criado em 1948, a partir de decisão, tomada um ano antes, da Assembleia Geral da ONU. Os palestinos querem fazer o mesmo percurso. Israel limitou-se, até agora, a dizer que deixará de reconhecer os acordos feitos nos últimos 18 anos, caso aconteçam o pedido palestino e sua aprovação. O mais importante desses acertos é o de 1993, assinado em Oslo, criando a Autoridade Palestina, entidade distante de ser um Estado. Negociações sempre difíceis estão paralisadas desde setembro do ano passado, quando Israel se recusou a prorrogar a proibição da construção de novas colônias nos territórios ocupados.

Quanto a Obama, parece mesmo disposto a insistir para que os palestinos repensem sua estratégia. Não estaria em condições, no entanto, de dar algo aceitável em troca. O primeiro-ministro de Israel negou-se a atender seu pedido para que devolva os territórios palestinos ocupados. Situação humilhante para Obama, segundo o Guardian, de Londres. Em longa viagem recente ao exterior (11 dias), Hillary Clinton tratou, sobretudo, pelo que se soube, da pressa do Irã em enriquecer urânio e da questão palestina, dois itens em andamento e com forte potencial explosivo.

Falando numa rádio de Los Angeles, veterano e experimentado agente da CIA, de nome Robert Baer, disse que é quase certo que Israel prepara um ataque às instalações nucleares do Irã, com a esperança de que os Estados Unidos se envolvam no conflito. “Provavelmente em setembro, antes que a Assembleia Geral da ONU aprove a criação de um Estado palestino”, completou Baer, com extensa carreira na CIA, da qual foi afastado sob a acusação de ter planejado o assassinato de Saddam Hussein nos anos 90 do século passado. Mas acabou condecorado.

Outras peças se movimentam nesse tabuleiro. Em janeiro, o New York Times disse que Israel, com ajuda americana, monta em Dimona ciberataques que poderão atrasar talvez até por um ano o programa nuclear iraniano. São traçados os meios de afetá-los com o vírus de computador Extuxnet. Dimona é onde Israel coloca em linhas de montagem suas armas de destruição maciça. Calcula-se que tenha pelo menos 20 bombas, mas não se sabe a quantidade certa. Israel não é signatário do tratado de não proliferação nuclear e a Agência Internacional de Energia Atômica tenta monitorá-lo, sem consegui-lo.

O Extuxnet ficou conhecido no ano passado. O New York Times também revelou que o vírus foi usado contra o Irã, e o próprio Irã admitiu atraso em seu programa nuclear. Novo é o fato de que em Dimona, onde Israel constrói centrífugas quase idênticas às do Irã, também é feita a montagem dos ciberataques. Tampouco se sabia do tamanho da participação de técnicos dos Estados Unidos em áreas de ciência e inteligência dessa nova faceta do programa nuclear de Israel. Na medida em que setembro se aproxima, aumentam as pressões, sobretudo por parte de Washington, para que os palestinos desistam de fazer o pedido à Assembleia Geral da ONU.

Resta saber — é o que se insiste em perguntar — quais seriam os objetos de troca. O próprio Obama já disse que só existe uma maneira de tirar o processo de paz da “paralisia asfixiante” e Israel, como vimos, tratou de bloqueá-la. Não devolve os territórios palestinos ocupados, mesmo que um pedido já tenha sido feito inclusive pela Casa Branca, partindo de alto nível, portanto. O tom da recusa deixa claro que de nada adiantará fazê-lo de novo e sujeitar-se, com isso, a mais uma humilhação. Se a ONU é mobilizada pelos palestinos, um ataque de Israel às instalações nucleares do Irã criará, no mínimo, situações de tumulto.

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