Recebi de um amigo que é adido em um país vizinho. De acordo, com a matéria, a impressão que se tem é de que o Brasil é uma grande potência militar. Não é.
Nosso orçamento de Defesa é ridículo, pífio. Na conta que nos coloca com o 11 país em gastos militares, são consideradas as despesas com salários e pensões, que correspondem a 70% do montante. Depois das de custeio, o que sobra para investimento é praticamente nada.
A Estratégia Nacional de Defesa é muito boa como peça propagandística ou obra de reflexão acadêmica. Só que não sai do papel. E, apesar de sermos a maior força terrestre da América do Sul (poderia ser diferente?), o pessoal do EB faz milagre para cumprir sua missão com o dinheiro que recebe em cada OM. A Aeronáutica perde espaço para outros países, uma vez que nossos equipamentos estão obsoletos e a cada dia o pessoal da FAB se vê obrigado a canibalizar mais aeronaves. Logo não teremos superioridade aérea no continente. No caso da Marinha, o Comandante da Força já disse publicamente que, se nada for feito, em breve não teremos mais navios em condições de operar.
Surpreende o artigo ao dizer que os gastos do Brasil teriam por objetivo “projetar poder” na América do Sul ou para além dela! Estou rindo até agora!!! Mal temos condições de nos defender – dependendo da ameaça, o jeito é sentar e chorar! – quanto mais projetar poder! Só se for vendendo novela e ganhando prêmio de música…
Mais não vou me alongar nessa ladainha… Resumindo, falta investimento em Defesa, isso sim. Não consigo vislumbrar potência política ou econômica sem um aparato militar para lhe dar garantia. Nesse sentido, o Brasil se mostra um gigante de pés de barro…
Ainda bem que estamos na América do Sul, longe de tudo, longe de todos. Por enquanto…
Brasil puxa alta de gasto militar na América do Sul
País responde por 80% do aumento das despesas da região, diz instituto. Segundo Sipri, gastos globais, entretanto, continuam dominados pelos EUA; China fica em distante 2º lugar
CLAUDIA ANTUNES, DO RIO http://www1.folha.uol.com.br/mundo/900980-brasil-puxa-alta-de-gasto-militar-na-america-do-sul.shtmlA América do Sul foi a região do mundo em que os gastos militares mais cresceram em 2010, e o Brasil foi responsável por 80% desse aumento, de acordo com um relatório divulgado ontem pelo Sipri (Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo).
O instituto atribui o fenômeno à recuperação econômica da região, uma das menos atingidas pela crise global de 2008. Destaca também o projeto de reequipamento das Forças Armadas brasileiras, que neste ano foi desacelerado pelos cortes orçamentários na Defesa.
“O Brasil está buscando projetar seu poder e influência para além da América do Sul, por meio da modernização militar”, constata o Sipri.
Os gastos militares mundiais, que atingiram US$ 1,63 trilhão em 2010, continuam amplamente dominados pelos EUA, responsáveis por 43% do total. O país é seguido de longe por China (7,3%) e potências tradicionais como a França (3,6%).
O Brasil ficou em 11º lugar no ranking mundial das despesas militares. Mas, como proporção do PIB, seus gastos foram de 1,6%, pouco mais do que em 2009 (1,5%). O número é inferior aos de EUA (4,8%), China (2,1%) e Índia (2,7%), entre outros.
Os dados do Brasil são baseados no Orçamento de 2010 e incluem despesas com salários e pensões, que consomem 70% do total estimado em US$ 33,5 bilhões, em valores correntes. O aumento é de 9,3% em relação a 2009.
Na América do Sul, também se destacam os aumentos do Peru (16%) e da Colômbia (7,2%).O da Argentina subiu 6,6%, mas a diferença foi basicamente para o pagamento de soldos.
A Venezuela é destaque, mas em sentido contrário. Depois de incrementar as despesas entre 2004 e 2009, com a compra de aviões caça e outras armas russas, o país reduziu-as em 27,3%.
O Sipri ressalta, no entanto, que parte do pagamento por essas armas pode não ter sido incluído no orçamento público do país.
O crescimento do gasto sul-americano, de 5,8%, foi bem superior à média anual entre 2001 e 2009 (3,7%).
O Sipri critica as despesas bélicas numa região “com carências sociais mais urgentes” e recomenda que os países levem adiante a promessa de maior transparência, inclusive no âmbito da Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
EUA X CHINA
Apesar de terem desacelerado seu orçamento militar, que aumentou 2,8% contra 7,4% entre 2001 e 2009, os EUA sozinhos foram responsáveis por 95% de tudo o que o mundo gastou a mais com o setor em 2010, na comparação com 2009.
Os americanos gastam seis vezes mais do que a China, que vem aprimorando sua Marinha para tentar reduzir a dominância militar dos EUA nas áreas do Pacífico perto da sua costa.
Na África, os responsáveis pela alta de 5,2% nas despesas foram Angola, Nigéria, Argélia e Marrocos.
STOCKHOLM INTERNATIONAL PEACE RESEACH INSTITUTE