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Por mais chavão que possa parecer, estaria a Itália chegando ao fim da era Berlusconi? Sem, dúvia o líder mais controverso e popular desde de Mussolini, o Premier demissionário conseguiu se manter à frente do Governo italiano nos últimos anos, resistindo a escândalos políticos e pessoais, confusões com prostitutas, acusações de corrupção e até a processos judiciais, passando pela amizade com Kadafi (lembra do bunga bunga?) e o envolvimento com meninas de vinte e poucos anos (está com 75 agora)… Entretanto, não resistiu à crise econômico-financeira (“A economia, estúpido!” diria Bill Clinton).

Pode-se falar em uma “era Berlusconi”? Talvez seja exagero. Mas que essa figura caricata deixou a sua marca como anti-herói da política italiana, ah, isso é inegável! Certamente o Palácio Chigi não será tão divertido…

Berlusconi deixará saudade… Será que ele volta? Sempre acho que ainda não é o fim de Sílvio Berlusconi (gosto da figura!). Afinal, ele já mostrou que tem vocação para fênix…

Berlusconi anuncia renúncia após derrota no Parlamento

Reuters Brasil – terça-feira, 8 de novembro de 2011 20:57 BRST
Por Barry Moody e James Mackenzie

ROMA (Reuters) – O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou nesta terça-feira que irá renunciar após sofrer uma humilhante derrota parlamentar, depois de uma rebelião partidária que o privou da maioria.

Em carta ao presidente Giorgio Napolitano, Berlusconi confirmou que deixará o cargo assim que o Parlamento aprovar reformas orçamentárias urgentes, conforme exigiu a União Europeia depois de a Itália virar a “bola da vez” da crise da dívida na zona do euro.

Câmara e Senado devem votar essas medidas ainda neste mês, selando o fim de 17 anos de domínio político do excêntrico magnata da mídia, de 75 anos.

Seu fracasso na implementação de reformas alimentou uma rebelião partidária, e Berlusconi disse à emissora de TV Canale 5, que pertence a ele próprio, que a única opção seria a antecipação das eleições. Isso, no entanto, poderia prolongar uma incerteza que já abalou a confiança dos mercados na Itália.

Napolitano disse que fará consultas para a formação de um novo gabinete. Acredita-se que os mercados e o presidente prefiram o comando de um tecnocrata, ou então um governo de unidade nacional.

O governo chegou a conseguir nesta terça-feira uma vitória em uma importante votação orçamentária, graças à abstenção da oposição, mas sem a maioria absoluta dos votos — foram apenas 308 deputados a favor, num total de 630. Faltaram oito votos para que o governo superasse o limite dos 50 por cento, necessário para a aprovação segura de projetos de lei.

Pier Luigi Bersani, líder do Partido Democrático, o principal da oposição, disse que a Itália corre o sério risco de perder o acesso aos mercados financeiros, depois de a incerteza política levar o ágio sobre os títulos públicos para perto dos 7 por cento, limite considerado perigoso por analistas.

“Eu lhe peço, senhor primeiro-ministro, com toda a minha força, para finalmente levar em conta a situação … e renunciar”, disse Bersani imediatamente após a votação.

Analistas dizem que a Itália é grande demais para ser salva por um resgate financeiro. Mas o país agora substituiu a Grécia como maior preocupação entre os endividados países da zona do euro.

ENCURRALADO

Berlusconi já estava encurralado havia várias semanas. Ele enfrentava uma série de escândalos sexuais, acusações de corrupção e rompimento com aliados, mas foi a situação econômica que determinou sua queda.

Governando a Itália pela terceira vez desde 1994, Berlusconi tentou até o final se reaproximar da ala rebelde do partido PDL para se manter no poder. Sua irritação com a perda da maioria ficou expressa por uma foto que flagrou as palavras “8 traidores” no seu bloco de anotações após o anúncio do resultado da votação parlamentar.

A notícia da renúncia de Berlusconi surgiu após o fechamento das bolsas europeias, mas a tempo de que o euro se valorizasse diante do dólar. As bolsas norte-americanas também tiveram alta.

Antes, Umberto Bossi, líder do partido Liga Norte e importante aliado de Berlusconi, defendeu que o primeiro-ministro fosse substituído por Angelino Alfano, secretário do PDL.

Acredita-se que a Liga e vários membros do PDL queriam que Berlusconi desse lugar a um novo governo de centro-direita, a fim de restaurar a confiança dos mercados sem precisar entregar o poder a uma administração interina.

A oposição de centro-esquerda disse que se absteve na votação para deixar claro que Berlusconi havia perdido o apoio de muitos aliados, mas sem impedir a ratificação formal do orçamento de 2010.

JUROS DISPARADOS

A taxa de juros na Itália vinha disparando, contribuindo para as sérias preocupações de que a zona do euro pode não ser capaz de sobreviver caso a sua terceira maior economia precise declarar uma moratória.

O valor pago pelos títulos italianos com vencimento em dez anos chegou nesta terça-feira a 6,74 por cento acima do valor de face, mas recuou em seguida. Analistas dizem que a Itália estava chegando ao mesmo estágio em que Portugal, Grécia e Irlanda se viram obrigados a pedir socorro.

Mas, no caso da Itália, isso poderia ser impraticável. “É difícil ver que nós, na Europa, temos recursos para levar um país do tamanho da Itália para um programa de resgate”, disse o primeiro-ministro finlandês, Jyrki Katainen, ao Parlamento do seu país.

Com o “spread” (diferença) entre os títulos italianos e alemães chegando a 5 por cento — um sinal do risco adicional que envolve os papéis da Itália –, a dirigente empresarial local Emma Marcegaglia declarou: “Não podemos continuar assim por muito tempo”.

Analistas dizem que os juros atuais, se forem mantidos, eliminarão a economia orçamentária prevista como parte de um doloroso programa de austeridade.

Mesmo sem Berlusconi, não há garantias de que reformas destinadas a reduzir a dívida e estimular o crescimento serão implementadas rapidamente, e o alívio dos mercados com a notícia da renúncia dele pode ser passageiro.

Não há acordo entre os partidos sobre um governo de unidade nacional ou a nomeação de um tecnocrata, e as consultas de Napolitano podem ser complicadas.

Berlusconi e seus principais aliados dizem que a nomeação de um gabinete de tecnocratas — opção preferida dos mercados — seria um “golpe” antidemocrático, por ignorar o resultado da eleição geral de 2008 que levou a centro-direita ao poder.

(Reportagem adicional de Paolo Biondi, Giselda Vagnoni, Roberto Landucci, Francesca Piscioneri, Philip Pullella e Catherine Hornby)

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